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HISTÓRIA DOS SANTOS

                                                      SANTA CLARA    


Nasceu em 1194 (ou 1193) numa família nobre e rica, na cidade de Assis. Foi uma jovem alta e loira de grande beleza que esteve prometida em casamento a grandes senhores feudais. A sua recusa ao casamento inseriu-se na “profunda inquietação religiosa” que muitos homens e mulheres sentiram nos séculos XII e XIII e que os levou ao retorno a uma vida ascética e desprovida de bens materiais. Clara era de uma grande exigência para consigo própria. A opção pela mais absoluta pobreza, para melhor viver o cristianismo, faz dela uma mulher admirável para os parâmetros da sua época e para a eternidade.
             No oitavo centenário do seu nascimento, Assis, a cidade símbolo mundial do espírito cristão da pobreza e da paz, comemorou, desde 11 de Agosto de 1993 até 5 de Outubro do 1994, o seu nascimento.
             Em Portugal, o Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro assinalou esta data com uma pequena mas belíssima exposição biblio-iconográfica.





AQUELA MENINA LOIRA ERA SENSÍVEL


             Clara era neta e filha de fidalgos guerreiros das mais ilustres e poderosas famílias de Assis. Viviam num palácio na cidade, possuíam um castelo nos arredores e consideráveis propriedades.
             O pai, Favarone Scifi, era conde e como todos os cavaleiros feudais deixava a educação das filhas a cargo de sua mulher e das numerosas damas do palácio. Como guerreiro cabia-lhe também participar nas cruzadas contra os infiéis, mas a sua religiosidade não iria muito além destas belicosas investidas.
             O avô de Clara pertencia à nobre família dos Offreducci. Seu filho mais velho, Monaldo, tio de Clara, era um guerreiro brutal e sem escrúpulos, mas na família havia outros parentes cuja generosidade aquela menina loira e sensível iria imitar.
             Ortolana Fiuni, antes mesmo da sua filha Clara nascer, pediu autorização ao marido para fazer uma peregrinação à Terra Santa, facto que era comum na época, principalmente na nobreza.
             Foi acompanhada da sua grande amiga, Pacífica de Guelfuccio, e integradas num grupo maior de peregrinos. Só a muita fé fazia esquecer a travessia do mar em más condições, as caminhadas longas sob diversos perigos, o calor, a escassez de água e alimentos. Toda a adversidade era compensada pelo momento inesquecível da chegada a Jerusalém, e o privilégio de poderem ajoelhar-se perante o Santo Sepulcro. Nessa viagem, Ortolana irá também a Roma. Após o regresso a casa, sabe que vai ser mãe. A lenda diz que a mãe de Clara de Assis ouviu um dia vozes que lhe anunciam que a criança que ia nascer iria ser um clarão de luz para todo o mundo.
             Em Roma era papa Celestino III. Corria o ano de 1194.





RECUSAR O LUXO E O PODER


             Clara é batizada na mesma igreja onde, doze anos antes, recebera o batismo Francisco de Assis (teve na pia baptismal o nome de João). As suas vidas vão para sempre estar ligadas por uma grande amizade espiritual.
             Mas se São Francisco, o santo padroeiro dos ecologistas que tratava os animais e as plantas por “irmãos” e “irmãs” e por quem os adultos e as crianças têm uma ternura muito especial, continua, decorridos tantos séculos, a ser conhecido e venerado, o mesmo não se passou com Clara que é pouco conhecida fora de Itália. Ela foi, porém, a feição feminina do franciscanismo na sua mais absoluta pobreza. Foi a fundadora das Clarissas, que se estenderam rapidamente por todo o mundo. Portugal teria o seu primeiro convento de Clarissas, em Lamego, antes de 1260.
             Os franciscanos e as clarissas vão operar uma profunda reforma nos costumes do seu tempo, numa recristianização da sociedade. A espiritualidade franciscana apontava para uma vida de despojamento de bens materiais e uma verdadeira recusa à subserviência ao dinheiro e ao luxo. Para Francisco de Assis a santificação pessoal era uma obra colectiva, numa união estreita com os outros, fazendo da divulgação da palavra de Cristo uma componente essencial dessa espiritualidade.
             Regressemos ao século XlI e a essa bela cidade situada no cimo de uma montanha — Assis.
             Clara foi a mais velha de cinco irmãos — Inês, Beatriz e dois irmãos. A sua infância e juventude foi a de uma menina fidalga. Gostou de vestidos de seda bordados, usou muitas vezes jóias quando com a família ia às festas da sua cidade ou assistia aos torneios onde a destreza dos irmãos e amigos era certamente para ela um motivo de aplauso. Aos doze anos era considerada de uma beleza fora do vulgar e os seus dotes artísticos eram o orgulho da mãe e do pai. Este, achou que era chegada a idade de a casar, mas Clara foi dizendo que não estava preparada.





CLARA ENCONTRA FRANCISCO

             Nesse tempo nem a própria mãe, profundamente religiosa, poderia adivinhar o futuro daquela filha que viria influenciar toda a família.
             Clara teria pouco mais de treze anos quando Francisco, filho de Pedro Bernardone, o rico fabricante e mercador de tecidos: resolveu tomar atitudes “bizarras”, começando por dar os seu ricos fatos e o seu cavalo a um pobre e depois desaparecendo de casa para se refugiar numa ermida abandonada a um quilómetro da cidade, recolhido em oração. Não se falava de outra coisa em Assis depois de Francisco ter roubado peças de tecido ao pai que vendeu para com o dinheiro reconstruir a capela de São Damião. Mais tarde a sua comunidade muda-se para Santa Maria dos Anjos. Francisco contava vinte e cinco anos. Passara já pelos prazeres dos jovens da sua idade, amante de mulheres, festas e folguedos, fora guerreiro, enfim, podemos dizer que a sua decisão nada tinha de imaturo, mas a sociedade em que vivia não o podia entender, O pai, tomando-o por louco, vai prendê-lo em casa e pô-lo a pão e água.
             Mas o tempo viria provar que aquele homem tinha sido tocado por algo transcendente e que iria seguir uma vida diferente.
             Com o tempo, outros jovens ricos vão juntar-se a Francisco e formarão uma nova comunidade religiosa a quem o papa Inocêncio III, em 1209, vai autorizar a pregação, como se fossem sacerdotes ordenados, embora, de início, a Igreja não entendesse muito bem o que pretendiam estes novos monges, que receberam sempre grande apoio dos beneditinos.
             Durante um ano, Clara vai à Capela de Santa Maria dos Ajos ouvir a pregação de Francisco e conversa com ele. Vai vestida de maneira discreta, sobre a cabeça põe um manto pesado para não ser reconhecida e faz-se acompanhar de uma amiga de confiança.
             Clara não mais vai esquecer essas conversas nem a forma humilde como ele se vestia - descalço, uma túnica de pano grosseiro, apanhada na cintura com uma corda e um cajado encimado de uma cruz e aquele olhar sereno e feliz. Aquela felicidade que só alguns conseguem atingir.




A FUGA DURANTE A NOITE


             Durante quatro anos, silenciosamente, sem mesmo dizer à mãe o que se passava no seu pensamento, Clara vai meditar na sua vida. Aos dezoito, no dia 18 de Maio de 1212, sai de noite de casa, acompanhada da amiga fiel, Filipa de Guelfuccio, descem a encosta até à Porciúncula onde Francisco, outros frades e freiras de outros mosteiros as esperam. Leva por baixo do manto um vestido de noiva, adornada com jóias: é o costume que ainda hoje se mantém nas tomadas de hábito das freiras que depois despem as vestes da “riqueza mundana” para envergarem o hábito da pobreza. Neste caso a verdadeira pobreza franciscana — o véu branco da pureza e o negro símbolo da penitência.
             Na cerimónia de profissão de fé de Clara, no mosteiro de Francisco, é ele próprio quem lhe vai cortar os cabelos. Diz-se que ao ver cair aqueles fios dourados no chão, o santo terá deixado rolar uma lágrima.
             A família, ao dar pelo desaparecimento de Clara, desencadeia as buscas, tendo à frente o tio de Clara. Pensa-se primeiro num rapto da autoria de algum jovem, o que era vulgar na época (eram chamados os “casamentos por rapto”) mas depois descobre-se que ela se recolhera junto da comunidade de Francisco. O tio Monaldo diz que a culpa é desse “doido” e jura que a trará para casa. Mas quando chega ao mosteiro das beneditinas de S.Paulo, em Bastia, próximo de Assis, onde Clara se recolhera, vê a sobrinha descalça, vestida pobremente que com serenidade e segurança lhe diz que não mais voltará para casa dos pais, porque é aquela a vida que escolheu. Fica indeciso. Ainda tenta forçá-la a segui-lo. Porém, Clara — para que ele perceba que a sua opção não foi um impulso passageiro tira o véu e mostra-lhe a cabeça raspada. O tio solta um grito de raiva. Aqueles cabelos de ouro, elogiados por toda a cidade, já não cobriam a bela cabeça da sobrinha e, meio descontrolado, retira-se com os seus soldados. Como a família de Francisco, também a de Clara teve de encarar a escolha da filha como algo mais forte que os poderes terrenos.
             Ortolana, ao princípo, não percebe bem o alcance do gesto da filha porque pensa que ela poderia ter escolhido ser freira num convento rico, para onde iam tantas meninas da nobreza.
             Inês, irmã de Clara, quinze dias depois fará o mesmo e a própria mãe, mais tarde, já viúva, vai também entrar num convento.







O MILAGRE DO SOL

             Um dia, Frederico II, com o seu exército composto por sarracenos, desde que fizera uma aliança com o sultão do Egipto, aproxima-se do convento de S. Damião. Na sua fúria contra a Igreja católica, tenta penetrar no mosteiro onde se encontra Clara e a sua comunidade. Quando os soldados que tentavam o saque se aproximam, as freiras em pânico vão avisar Clara que, sem ter qualquer meio de defesa, vai à capela e pega na custódia, peça do culto onde se coloca a hóstia, normalmente de ouro ou pra ta, e empunhando-a com as duas mãos levanta-a de modo a que seja vista pelos invasores. Conta a lenda que os raios de Sol, reflectindo-se nela, teriam assustado os guerreiros que, em debandada, fugiram. Será esta a cena mais representada nas gravuras e pinturas que se têm feito de Santa Clara, sendo de referir que Portugal possui inúmeros quadros desta Santa, nomeadamente no mosteiro da Madre de Deus, em Xabregas.




ESCOLHER O PRIVILÉGIO... DA POBREZA

             A exigência espiritual de Clara de Assis diferenciava-se das outras comunidades de freiras, principalmente num aspecto — além de ser uma ordem contemplativa, vive o “privilégio da pobreza”. Esta recusa total dos bens terrenos era perfeitamente inaceitável na época e, daí, Clara ter toda a vida lutado para que a sua Regra fosse aceita pelo Papa que a considerava de uma tal exigência que seria difícil de cumprir. Gregório IX confirmará a nova ordem monástica, em 1228.
             É difícil, nos nossos dias, compreendermos o que é este espírito de pobreza de Francisco e Clara. Seria preciso penetrarmos na mentalidade da época, onde a pobreza era uma humilhação, mais do que uma ausência de bens. Os pobres eram, de algum modo, marginais que viviam da bondade de quem lhes dava esmola.
             Hoje, fala-se de outra pobreza que é o fruto de calamidades naturais e da responsabilidade dos governos de países, exclusivamente preocupados com o progresso material, como se o ser humano só precisasse de bens palpáveis.
             Clara de Assis, na sua pequena comunidade com as outras “senhoras pobres”, como se chamaram de início as Clarissas, vai aceitar, apesar de uma primeira recusa, ser a abadessa, sempre como apoio espiritual da comunidade de Francisco. Vão instalar-se num mosteiro beneditino de Sant’Angelo de Ponzo.
             Inês, que também vai seguir a vida monástica, irá para outro convento e as duas irmãs ficarão trinta e cinco anos sem se encontrar.
             Francisco de Assis, já por muitos considerado um santo, morre em 3 de Outubro de 1226. O povo de Assis vai--lhe prestar uma homenagem simples e sentida. Cada habitante da cidade levou na mão um raminho de fores e uma vela acesa.
             O cortejo fúnebre sai de Santa Maria dos Anjos e, antes de chegar a Assis, vai passar em S. Damião para que Clara, muito doente, possa dizer o último adeus ao seu guia espiritual, ao seu grande amigo e protector. Clara chorou sem cessar a perda de Francisco. Sentia-se desamparada. Tinha 32 anos e iria viver até aos 60 sempre em S. Damião.
             Entretanto, a fama de Clara espalhava-se, gente dos arredores vinha pedir-lhe conselhos e ela, através da oração, fazia curas ditas milagrosas. Surdos que passaram a ouvir, mulheres estéreis que tiveram filhos e muitos outros factos fora do vulgar.
             Clara de Assis foi canonizada em 1255, apenas dois anos após a sua morte. Poderíamos chamar-lhe a santa das santas”.


                                                              SANTA RITA DE CÁSSIA



Rita nasceu provavelmente no ano 1381 em Roccaporena, uma aldeia situada na Prefeitura de Cássia na provincia de Perugia, da Antonio Lotti e Amata Ferri. Os seus pais eram crentes e a situação econômica não era das melhores, mas decorosa e tranquila.

A história de S. Rita foi repleta de eventos extraordinários e um destes se mostrou na sua infancia.
A criança, talvez deixada por alguns minutos sozinha em uma cesta na roça enquanto os seus pais trabalhavam na terra, foi circundada da um enxame de abelhas. Estes insetos recobriram a menina mas estranhamente não a picaram. Um caipira, que no mesmo momento havia ferido a mão com a enxada e estava correndo para ir curar-se, passou na frente da cesta onde estava deitada Rita. Viu as abelhas que rodeavam a criança, começou a mandá-las embora e con grande estupor, a medida que movia o braço, a ferida se cicatrizava completamente.

A tradição nos diz que Rita tinha uma precoce vocação religiosa e que um Anjo descia do céu para visitá-La quando ia rezar em uma pequena mansarda.

S. RITA ACEITA DE CASAR
Rita teria desejado ser monja todavia ainda jovem (a 13 anos) os pais, já idosos, a prometeram em casamento a Paulo Ferdinando Mancini, um homem conhecido pelo seu caráter iroso e brutal. S. Rita, habituada ao dover não opôs resistência e se casou com o jovem oficial que comandava a guarnição de Collegiacone, presumivelmente entre os 17-18 anos, isto é em torno aos anos 1387-1388.

Do casamento entre Rita e Paulo nasceram dois filhos gêmeos; Giangiacomo Antonio e Paulo Maria que tiveram todo o amor, a ternura e os cuidados da mãe. Rita conseguiu com o seu doce amor e tanta paciência a transformar o caráter do marido, o fazendo ser mais dócil.

A vida conjugal de S. Rita, passado 18 anos, foi tragicamente terminada com o assassinato do marido, durante a noite, na Torre de Collegiacone a alguns kilometros de Roccaporena quando voltava para Cássia.

O PERDÃO
Rita ficou muito aflita pela atrocidade do acontecimento, procurou proteção e conforto na oração com assíduas e ardentes preces no pedir a Deus o perdão dos assassinos do seu marido.
Contemporaneamente, S. Rita formulou uma ação para chegar à pacificação, a partir dos seus filhos, que sentiam como um dever a vingança pela morte do pai.
Rita se deu conta que a vontade dos filhos não era di perdão, então a Santa implorou ao Senhor oferecendo a vida dos seus filhos, a fim de não vê-los manchados de sangue. "Eles morreram antes de completar um ano da morte do pai"...

Quando S. Rita ficou sózinha, tinha pouco mais de 30 anos e sentiu reflorescer no seu coração o desejo de seguir aquila vocação que na juventude tinha desejado realizar.

S. RITA SE TRANSFORMA EM MONJA
Rita pediu para entrar como monja no Mosteiro de S. Maria Madalena, mas por três vezes lhe foi negado, porque viúva de um homem assassinado.
A legenda narra que S. Rita conseguiu superar todos os impedimentos e portas fechadas graças à intercessão de S. João Batista, S. Agostinho e S. Nicola de Tolentino que a ajudaram a voar da “Rocha” até o Convento de Cássia em um modo a Ela incomprensível. As monjas convencidas do prodígio e do seu sorriso, a acolheram e lá Rita permaneceu por 40 anos submersa na oração.

O MILAGRE SINGULAR DA ESPINHA
Era sexta-feira Santa de 1432, S. Rita voltou ao Covento profundamente confusa, depois de ter escutado um predicador reinvocar com ardor os sofrimentos da morte de Jesus e permaneceu orando na frente do crucifixo em contemplação. In um momento de amor S. Rita pediu a Jesus de condividir pelo menos em parte, os Seus sofrimentos. Aconteceu então o prodígio: S. Rita foi perfurada por uma espinha da coroa de Jesus, na testa. Foi um espasmo sem fim. S. Rita teve a ferida na testa por 15 anos como sigilo de amor.

VIDA DE SOFRIMENTO
Para Rita os últimos 15 anos foram de sofrimento sem trégua, a sua perseverança na oração a levava a passar até 15 dias correntes na sua cela "sem falar com ninguém se não com Deus", além do mais usava também o cilicio que lhe dava tanto sofrimento, submetia o seu corpo a muitas mortificações: dormia no chão até que se adoentou e ficou doente até os últimos anos da sua vida.

O PRODÍGIO DA ROSA
Após 5 meses da morte de Rita, um dia de inverno com a temperatura rígida e um manto de neve cobria tudo, uma parente lhe foi visitar e antes de ir embora perguntou à Santa se Ela desejava alguma coisa, Rita respondeu que teria desejado uma rosa da sua horta. Quando voltou a Roccaporena a parente foi à horta e grande foi a sua surpresa quando viu uma belíssima rosa, a colheu e a levou a Rita.

Assim S. Rita foi denominada a Santa da "Espinha" e a Santa da "Rosa".

S. Rita ante de fechar os olhos para sempre, teve a visão de Jesus e da Virgem Maria que a convidavam no Paraíso. Uma monja viu a sua alma subir ao céu acompanhada de Anjos e contemporaneamente os sinos da igreja começaram a tocar sozinhos, enquanto um perfume suavíssimo se espalhou por todo os Mosteiro e do seu quarto viram uma luz luminosa como se fosse entrado o Sol. Era o dia 22 Maio de 1447.

S. Rita da Cássia foi beatificada 180 anos depois da sua subida aos céus e proclamada Santa após 453 anos da sua morte.



                                                                  SANTA CECÍLIA

Cecília é a santa padroeira dos músicos e a mais celebrada dentre os primeiros mártires romanos. O ano de seu nascimento é desconhecido, mas acredita-se que ela tenha morrido em 177 d.C. Justamente por ser uma das primeiras santas da Igreja, poucos detalhes de sua vida são realmente conhecidos, mas antigas inscrições referem-se a seu corajoso testemunho de conversão e santidade e a seu zelo extraordinário pela Igreja Cristã, que em seu tempo era tenazmente perseguida pelo imperador Diocleciano .




Naquela época, as missas e demais celebrações cristãs eram feitas às escondidas e a casa de Cecília era um dos principais locais de oração dos primeiros cristãos . Ali o Papa Urbano I costumava presidir a Eucaristia e também batizar os novos convertidos. As fontes de pesquisa indicam que, além de anfitriã dessas reuniões de oração, a jovem Cecília era também responsável pela organização das celebrações, bem como a voz principal na hora de entoar os salmos, os hinos cristãos e os “cânticos espirituais” , a exemplo daqueles citados por São Paulo em Ef . 5, 19.




Apesar de sua decisão de permanecer casta, ela foi prometida em casamento a Valeriano, um jovem nobre de família pagã. Cecília, filha obediente, aceitou a decisão de sua família. Porém seu testemunho de autêntica fé cristã acabou levando seu noivo, juntamente com o irmão Tibúrcius , à conversão. Tendo experimentado a graça e o amor de Jesus Cristo, Valeriano também optou por respeitar o voto de castidade de Cecília e os dois passaram a ser importantes lideranças da Igreja perseguida.




Mas os espiões do imperador descobriram as reuniões secretas em sua casa e Valeriano foi imediatamente preso e queimado vivo em plena Via Ápia , juntamente com seu irmão Tibúrcius .




O rápido julgamento de Cecília parece ter sido realizado ali mesmo em sua casa , perante autoridades romanas. Por ser jovem e de família influente, a ela foi oferecida a alternativa de prestar culto aos deuses romanos em troca de sua liberdade. A bela cristã intrepidamente declarou que seus dons, sua inteligência, sua voz e seus cânticos apenas seriam dedicados a servir a Jesus Cristo, o Senhor . Por seu testemunho de fé a jovem foi condenada a ficar no banheiro de sua casa inteiramente vedado até morrer sufocada sob o vapor do banho . Porém, mesmo após um dia e meio sem oxigênio, a vida não saía de seu corpo. Então, um experimentado executor foi enviado para separar do corpo a cabeça de Cecília, mas diante da coragem e firmeza da fé daquela jovem, o carrasco vacilou com a espada e simplesmente não conseguiu desferir com precisão os três golpes prescritos pela lei. Chocado com seu fracasso, o carrasco deixou a jovem no seu banheiro, sangrando, mas ainda viva e completamente consciente, com sua cabeça metade separada do corpo. Ela ficou deitada sobre seu lado direito com suas mãos cruzadas em prece e assim permaneceu, com a face voltada para o chão, por três dias e noites, até finalmente falecer.




Os primeiros cristãos finalmente a encontraram e vestiram o corpo da rica mártir em vestes de seda e ouro e colocaram-no em um caixão de cipreste na mesma posição em que Santa Cecília expirou . Aos seus pés foram colocados tecidos de linho e véus para absorver o sangue.




Depois de sua morte, sua casa foi transformada em uma igreja e seu corpo foi enterrado na catacumba de S. Calisto, nos arredores de Roma.




Setecentos anos depois , por volta do ano 822, quando estava em restauração a igreja dedicada à sua memória, o Papa Pascal I desejou transferir os seus restos mortais para um lugar onde pudesse ser visitado por peregrinos, mas não conseguiu encontrar a sua sepultura. Segundo consta, a Santa lhe apareceu em extraordinária visão quando ele estava orando e falou-lhe do local de seu corpo. O caixão foi, de fato, encontrado no exato local indicado e, ao abri-lo, o Papa teve a maravilhosa surpresa de encontrar o corpo de Cecília totalmente intacto . O milagre da incorruptibilidade foi constatado (assim como mais tarde aconteceria nos casos de Santa Clara, Santa Rita e tantos outros santos e santas) e o corpo foi depositado ao lado dos ossos de seu marido e de seu cunhado, agora localizados abaixo do altar da igreja, seguindo antiqüíssimo costume. Ali – na Basílica de Santa Cecília, em Roma – permanece o corpo da santa, totalmente intacto até hoje, mais de mil e oitocentos anos depois de sua morte.




A história da jovem e bela Cecília é para todos nós – agraciados com o dom da música – não simplesmente um exemplo de “boa musicista” ou “virtuose musical”, mas o testemunho de alguém que soube colocar seus dons à disposição de Deus e que teve coragem de utilizar a música como expressão de sua fé.




Que seu exemplo possa ser inspiração em nossos dias. Que, no mundo tão conturbado e cheio de desafios em que vivemos atualmente, tenhamos, assim como nossa padroeira, a coragem de não dobrar nossa arte aos pés dos ídolos do consumismo e do relativismo moral , que nossa música seja testemunho vivo dos valores e da pessoa de Jesus e que nosso som seja como uma ponte que permanentemente transporta Deus em direção ao seu povo e o povo em direção ao seu Deus.





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